Exercício Físico e o cérebro
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A relação entre o Exercício Físico e o Cérebro

A relação entre o Exercício Físico e o Cérebro é bastante complexa e interessantes, mas antes de aprofundarmos o que os relaciona é necessário clarificar alguns conceitos. 
 
O que é o Exercício Físico?
 
 O Exercício Físico (EF) é uma subcategoria da atividade física caraterizada por ser uma atividade planeada, estruturada e repetida. Tem como objetivo, intermédio e final, o de manter/desenvolver um ou mais componentes do estado de fitness. Nos dias de hoje, o EF tem o potencial de ser utilizado como uma ferramenta “gold-standard” no que toca ao controlo da suscetibilidade de doenças ou disfunções neurológicas e metabólicas, com capacidade hereditária.
 
Exercício Físico e o Cérebro: Que relação?
 
Segundo a mais recente evidência, o Exercício Físico afeta positivamente a plasticidade cerebral. Assim, o EF assume um papel preponderante na modulação do cérebro moderno, beneficiando funcionalmente o ser humano no seu domínio biológico (função cognitiva) e psicológico (o bem-estar físico e mental). 
 
Neste sentido, é importante compreender que o aspeto biológico cerebral mais importante é a neuroplasticidade, que lhe permite modificar-se através das experiências vividas. O EF é visto como um promotor do ambiente perfeito para se dar este tipo de alterações. Os processos neurobiológicos associados à neuroplasticidade são a proliferação de células neurais, apoptose (morte celular programada), plasticidade sinática e a consolidação de memória. Assim, o EF tem a capacidade de influenciar o estado emotivo, através do sistema límbico (responsável pelas emoções e comportamentos sociais), influenciando, por via de circuitos neurais específicos, as áreas pré-frontais (função cognitiva e memória de trabalho).
 
Em humanos, os indicadores de mudanças estruturais do cérebro, representados através do aumento do volume cerebral, incrementam a eficácia neural. Tal permite a redução dos danos causados nas regiões de massa cinzenta com o avançar da idade ou por desuso das áreas responsáveis por essas competências. A razão para este tipo de desenvolvimento pode estar na consequência de um aumento da oxigenação e aporte de nutrientes ao cérebro. Isto acontece através do aumento do fluxo sanguíneo cerebral, assim como a produção de genes (como BDNF e IFG-1) que regulam positivamente a consolidação da memória, ao mesmo tempo que desregulam genes que representam respostas repressoras a esses eventos.
 
Existe evidência científica da relação entre o Exercício Físico e a concretização académica, quando comparados indivíduos ativos e sedentários. Crianças que pratiquem atividade física intensa têm maior probabilidade de verem potenciadas a sua performance verbal, percetual e aritmética. 
 
Para além da memória de trabalho/racional, também a memória a longo prazo é potenciada, promovendo a habilidade de “gravar” eventos de aprendizagem difícil. Estudos apontam que, com apenas 2 semanas de exposição, é possível observar incrementos na atividade neural de base em regiões como o hipocampo, a amígdala e o córtex, principais áreas relacionadas com a memória de longo prazo.
 
Os efeitos benéficos do exercício físico no cérebro podem durar um tempo bastante considerável, criando uma memória genética, com base consolidada em idades mais jovens, que permite preparar as idades mais avançadas, tendo ainda a possibilidade de ser perpetuado para as gerações futuras. Este facto vai de encontro aos estudos realizados em atletas Masters com média de idades de 74 anos. Nestes atletas foram achados marcadores elevados de oxigenação cerebral em repouso, que evidenciam o papel preponderante do EF no atraso das comorbilidades cognitivas em idades mais avançadas, como por exemplo a demência.
 
Assim, o Exercício Físico vem demonstrar-se como uma potente ferramenta no que toca à reprogramação de genes responsáveis pela estrutura e função cerebral, destacando-se positivamente na manutenção da saúde mental e cognitiva.
 
Efeitos Cognitivos em Patologias Neurológicas
 
O EF é considerado por muitos estudos a terapia de eleição na redução da depressão e ansiedade, bem como na recuperação e prevenção de vários aspetos relacionados com doenças cerebrais, como por exemplo Traumatismos, Parkinson, Alzheimer, Epilepsia e Demência.
 
Assim sendo, este atua como um importante modulador neuroprotetivo, controlando a doença e amplificando as funções cerebrais, através de mecanismos como o aumento do fluxo sanguíneo cerebral, melhoria na qualidade de sono, saúde cardiovascular e metabólica.
 
Neste tipo de população importa ressalvar que tanto a especificidade do planeamento de treino, bem como o tempo para que se observem alterações significativas (cerca de 16 semanas de exposição ao exercício), são parâmetros que devem ser tidos em consideração.
 
Não te esqueças: o exercício físico poderá ser uma boa ferramenta para potenciar a nossa leitura, estudo, teletrabalho ou qualquer outra atividade cognitiva que escolhamos! E, com isso, estamos também a promover saúde. Por isso, toca a mexer!
 
Redigido pela nossa Equipa de Fisioterapeutas

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