Dor não é lesão
ROPE

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Nem sempre a dor é sinónimo de lesão!

Sabias que podemos ter uma lesão e não ter dor? Já fizeste um pequeno corte ou uma pisadura e só mais tarde te apercebeste? Alguma vez te esqueceste da dor enquanto falavas com amigos? É real, enquanto o nosso cérebro estiver distraído não irá processar a informação da periferia.

O contrário também pode acontecer: podemos ter dor sem ter lesão. Já ouviste falar na “dor fantasma”? Quando um membro foi amputado e, mesmo assim, existe dor? Ou até aquela amiga que tem dores, mas os exames dão todos negativos?

Nas últimas décadas, a compreensão científica dos distúrbios da dor crónica “inexplicável” aumentou, substancialmente. Tornou-se claro que, a maioria dos casos, são caracterizados por alterações no processamento do sistema nervoso central.

Mas o que é isto afinal?

A lesão inicial faz com que o nosso sistema nervoso aumente a atenção dos nossos “mensageiros” para não nos lesionarmos de novo. Esta dor é importante, porque nos protege! Por exemplo, se passares uma mão queimada debaixo da água morna tens dor; no entanto, uma mão não queimada não sente dor com a água à mesma temperatura, caracterizando-se por uma hipersensibilidade local.

Caso a lesão seja prolongada no tempo, pode acontecer que o sistema nervoso permaneça em estado de alerta, recebendo como ameaça estímulos que, anteriormente, não o eram. Assim, estímulos que antes eram inofensivos provocam, agora, dor, e estímulos dolorosos provocam ainda mais dor.

Na tentativa de nos proteger, um sistema nervoso hipersensível local pode evoluir para um sistema nervoso hipersensível global. Assim, após o tempo de cicatrização dos tecidos, a lesão inicial já não existe, mas o sistema nervoso continua com alterações como se continuasse a vigiar o local da lesão, perpetuando a passagem de informação de alerta.

No entanto, podemos controlar essa dor, atendendo que ela pode surgir de alterações que permanecem no sistema nervoso e que variam consoante o contexto, estado de espírito, conhecimento e expectativas. Tentando diminuir a preocupação sobre o problema e pensando menos na dor, ativamos menos vias que conduzem a essa dor, enfraquecendo as ligações no cérebro. Também devemos dar experiências positivas ao nosso cérebro! Como? Imaginar o membro que nos dói a fazer movimentos sem dor, festejar pequenas evoluções e movimentarmo-nos dentro das amplitudes disponíveis, causando bem-estar e não traumas.

A dor não é psicológica e o fisioterapeuta sabe disso. Ainda assim, há duas coisas que são necessárias tratar: a inflamação e o medo que o nosso cérebro possa ter.

José Santos, Fisioterapeuta

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